A vida é um ciclo constante de aprendizados, e tentar algo novo é um convite para redescobrir o prazer e os desafios de ser iniciante. Embora a sensação de fracasso possa parecer desanimadora, ela é um elemento indispensável no processo de evolução pessoal e profissional. Mas por que ser iniciante é tão importante?

O que significa ser iniciante?
Ser iniciante é permitir-se começar algo novo, sem o peso da perfeição. É aceitar que as quedas, os erros e os tropeços fazem parte de qualquer jornada. Assim como em uma primeira aula de surf, onde a dificuldade de subir na prancha pode parecer insuperável, a persistência é a chave para transformar os tombos em aprendizado.
A experiência de estar no começo de algo nos coloca em uma posição de humildade, incentivando o desenvolvimento de habilidades que vão além da técnica, como resiliência, paciência e autoconfiança.
O que a neuropsicologia nos diz sobre ser iniciante?
A neuropsicologia explica que nosso cérebro é moldado por experiências novas, um processo conhecido como neuroplasticidade. Quando nos colocamos na posição de iniciante, ativamos áreas cerebrais relacionadas ao aprendizado e à adaptação, como o córtex pré-frontal e o hipocampo. Essas áreas são responsáveis por processos como tomada de decisão, memorização e resiliência emocional.
Ao tentar algo novo, criamos conexões neurais que fortalecem nossa capacidade de lidar com mudanças e incertezas. Além disso, o desafio de enfrentar o desconhecido estimula a produção de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de recompensa, o que nos motiva a continuar tentando. Assim, mesmo que os tombos iniciais sejam desconfortáveis, cada esforço contribui para nossa evolução mental e emocional.
Por que o medo do fracasso nos impede de tentar?
O fracasso carrega um estigma desnecessário. Muitas vezes, somos levados a acreditar que errar é sinal de fraqueza. Contudo, na realidade, cada falha é uma oportunidade de crescer e ajustar a rota.
Tomemos o exemplo do surf. Manter-se de pé em uma prancha nas primeiras tentativas é uma tarefa que parece impossível, mas cada tentativa fracassada ensina algo novo: o movimento certo, o ajuste necessário ou simplesmente a importância de continuar tentando.
Quais são os benefícios de ser iniciante?
Aceitar o papel de iniciante proporciona uma série de benefícios:
- Desenvolvimento pessoal: A experiência de começar do zero nos ensina lições valiosas, como resiliência e humildade.
- Expansão de habilidades: Mesmo fora da zona de conforto, adquirimos novas competências que podem ser aplicadas em outras áreas da vida.
- Autoconhecimento: Cada etapa do aprendizado revela nossas forças e áreas de melhoria.
- Superação de medos: Enfrentar o desconhecido nos torna mais confiantes e preparados para desafios futuros.
Como transformar fracassos em aprendizado?
Primeiramente, é importante mudar a perspectiva sobre o fracasso. Em vez de vê-lo como algo negativo, devemos encará-lo como parte natural do processo de aprendizado. Algumas dicas para transformar erros em lições incluem:
- Praticar a paciência: Aprender algo novo leva tempo. É essencial respeitar o ritmo do progresso.
- Celebrar pequenos avanços: Cada conquista, por menor que seja, é um passo em direção ao sucesso.
- Buscar apoio: Compartilhar experiências com outros iniciantes pode ajudar a lidar com frustrações.
- Refletir sobre os erros: Analise o que não funcionou e use isso como base para melhorar.
Viver é também ressignificar traumas: refazendo coisas pela primeira vez, agora adulto
A vida adulta nos oferece uma oportunidade única de revisitar experiências que, no passado, deixaram marcas negativas. Refazer algo que nos desafiou ou traumatizou, agora com uma nova perspectiva, é uma forma poderosa de ressignificação. Quando nos permitimos ser iniciantes novamente, enfrentamos medos e inseguranças que podem ter raízes profundas.
Por exemplo, alguém que teve experiências difíceis com esportes na infância pode descobrir no surf, na dança ou em outra atividade física, uma nova forma de se conectar com o corpo e superar antigos traumas. Essas vivências não apenas nos libertam de medos passados, mas também reforçam nossa capacidade de encarar desafios futuros.
Essa jornada de autodescoberta mostra que ser iniciante não é fraqueza, mas sim coragem: é dar um passo à frente, mesmo sabendo que o caminho pode ser incerto.

Quando foi a última vez que você se permitiu ser iniciante?
A vida é repleta de oportunidades para recomeçar. Seja em um novo hobby, uma mudança de carreira ou até mesmo na adaptação a uma rotina diferente, permitir-se ser iniciante é um ato de coragem. A sensação de vulnerabilidade inicial é rapidamente superada pela satisfação de conquistar algo novo.
Nas ondas da vida, assim como no surf, o equilíbrio entre o medo da queda e a coragem de tentar novamente é o que nos impulsiona a crescer. Então, a pergunta que fica é: qual será o próximo desafio que você vai encarar como iniciante?
Acompanhamento psicológico: um apoio essencial quando a rede próxima não é suficiente
Nem sempre amigos e familiares conseguem oferecer o suporte necessário para os desafios que enfrentamos como iniciantes. Nessas situações, o acompanhamento psicológico é um aliado fundamental. Um terapeuta pode ajudar a identificar bloqueios emocionais, trabalhar traumas e oferecer ferramentas práticas para lidar com os altos e baixos do aprendizado.
Por meio da terapia, aprendemos a lidar com a autocrítica, a cultivar a paciência e a encontrar formas saudáveis de encarar o fracasso. Além disso, o ambiente terapêutico é um espaço seguro para explorar sentimentos e buscar soluções para situações que podem parecer insuperáveis.
Investir em saúde mental é um passo importante para desenvolver autoconfiança e resiliência, especialmente em momentos de mudanças e recomeços. Afinal, o apoio profissional nos ajuda a enxergar nossas capacidades com mais clareza e a acreditar no potencial que carregamos.
Ser plena e liberta: a força interna de quem se permite começar
A plenitude não é sobre alcançar um estado de perfeição, mas sobre encontrar força interna para abraçar a jornada, com suas imperfeições e desafios. Quando nos permitimos ser iniciantes, acessamos uma coragem que transcende os medos e nos impulsiona a buscar a liberdade de ser quem realmente somos.
Essa força interna é construída a cada tentativa, a cada novo aprendizado e, principalmente, a cada superação. Mesmo quando o caminho é difícil, há beleza em cada passo dado com determinação. Ser plena é viver com autenticidade, reconhecendo que a verdadeira liberdade vem de aceitar que não precisamos ser perfeitas para nos sentirmos completas.
Por fim, ao encarar o desafio de aprender algo novo, conectamo-nos com o que há de mais humano em nós: a capacidade de evoluir. E é nesse processo de evolução que encontramos a verdadeira força para viver com propósito.
Sou Betila Lima – Psicóloga
Formada em Psicologia desde 2007, com formação em Neuropsicologia, Terapia Cognitiva Comportamental, Terapia de EMDR e Brainspotting.
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