Você sabia que a comunicação pode ser um dos pilares mais importantes para garantir uma experiência de saúde positiva? Estudos revelam que a insatisfação com serviços de saúde frequentemente não está ligada aos tratamentos ou diagnósticos em si, mas à forma como as informações são transmitidas.
A comunicação, que deveria ser uma ponte para o cuidado, muitas vezes transforma-se em um abismo emocional e informacional.

Qual é o impacto da comunicação na experiência do paciente?
Quando um paciente não entende o que está acontecendo com o seu corpo ou tratamento, ele pode se sentir perdido. Bem como, vulnerável e desamparado. Este sentimento vai além da linguagem técnica utilizada pelos profissionais de saúde. Sendo assim, entre os principais problemas, destacam-se:
- Falta de tempo para conversas claras e completas: Consultas médicas, muitas vezes rápidas, deixam dúvidas no paciente.
- Ausência de empatia: Trocas impessoais ou frias dificultam a criação de um vínculo de confiança.
- Comunicação de más notícias: Momentos delicados, como diagnósticos graves, são frequentemente tratados de forma abrupta, ou seja, causando sofrimento adicional.
O distanciamento emocional e a ausência de acolhimento criam barreiras que dificultam ainda mais o enfrentamento de uma doença. Assim, a má comunicação não apenas prejudica a relação entre profissionais e pacientes, mas pode também afetar a adesão ao tratamento e a recuperação.
Benefícios de uma boa comunicação, segundo a neuropsicologia
A neuropsicologia, ciência que estuda a relação entre o cérebro e o comportamento, destaca que a comunicação não é apenas um processo social, mas também uma atividade que ativa redes complexas no cérebro. Entre os principais benefícios de uma boa comunicação estão:
- Redução do estresse: Quando uma pessoa se sente compreendida, o cérebro reduz a produção de cortisol, hormônio do estresse. Dessa forma, promovendo um estado de maior equilíbrio emocional.
- Fortalecimento de conexões emocionais: A empatia e o acolhimento durante uma conversa ativam o sistema límbico, região cerebral responsável pelas emoções, ou seja, criando laços mais profundos.
- Melhora da memória e aprendizado: Informações claras e bem transmitidas são mais facilmente assimiladas e armazenadas no cérebro.
- Aumento da sensação de segurança: A clareza na comunicação reduz a incerteza, dessa forma, ativando o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e planejamento.
- Estímulo à plasticidade cerebral: Trocas positivas e construtivas ajudam a criar novas conexões neurais, portanto, especialmente em situações de reabilitação ou enfrentamento de traumas.
Portanto, investir em uma comunicação eficaz é também um cuidado com a saúde mental e cognitiva de todos os envolvidos.
Como melhorar a comunicação nos serviços de saúde?
Melhorar a comunicação na área da saúde exige uma abordagem integrada, que combine empatia, escuta ativa e clareza. Algumas estratégias incluem:
- Uso de linguagem acessível: Evitar jargões técnicos e adaptar o vocabulário para o público em questão.
- Treinamento em comunicação: Profissionais da saúde podem ser capacitados para comunicar-se de forma clara e humana.
- Valorização do tempo de escuta: Dedicar minutos para ouvir o paciente pode fazer toda a diferença.
- Presença de psicólogos em cenários críticos: Especialistas em psicologia auxiliam na construção de diálogos acolhedores, especialmente em situações complexas como cuidados paliativos.
Por que a psicologia é crucial na comunicação em saúde?
A psicologia desempenha um papel essencial na humanização do atendimento de saúde. Em cenários como os cuidados paliativos, por exemplo, a presença de um psicólogo é fundamental. Este profissional ajuda a:
- Alinhar expectativas: Pacientes e familiares compreendem melhor o prognóstico e as possibilidades de tratamento.
- Acolher angústias: Questões emocionais e espirituais são tratadas com sensibilidade.
- Trazer clareza à jornada do paciente: Compreensão clara do momento vivido auxilia no processo de enfrentamento.
A saúde vai muito além de diagnósticos e medicamentos. Cuidar é comunicar, e comunicar é acolher.
Como a boa comunicação transforma experiências difíceis?
Em momentos de crise, como enfrentar uma doença grave, uma boa comunicação pode ser transformadora. Um médico ou psicólogo que sabe escutar e explicar, respeitando as emoções do paciente, cria um ambiente de confiança e segurança. Afinal, as palavras não curam doenças, mas são capazes de aliviar sofrimentos e construir pontes de cuidado.
Pessoas traumatizadas têm dificuldade na comunicação? O que o EMDR nos diz sobre isso?
Sim, traumas podem afetar significativamente a comunicação. Pessoas que passaram por experiências traumáticas muitas vezes desenvolvem dificuldades em expressar sentimentos, organizar pensamentos e confiar no outro. Isso acontece porque o trauma pode “desconectar” partes do cérebro responsáveis pela regulação emocional e pela expressão verbal, como o córtex pré-frontal e o sistema límbico.
O EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), uma abordagem terapêutica comprovadamente eficaz no tratamento de traumas, fornece insights valiosos sobre essa questão. Ele atua ajudando o cérebro a reprocessar memórias traumáticas, reduzindo o impacto emocional e permitindo que a pessoa recupere a capacidade de se expressar de forma mais equilibrada. Alguns pontos relevantes sobre o EMDR são:
- Facilita o desbloqueio emocional: Durante as sessões, o paciente pode acessar memórias difíceis e reorganizá-las em um contexto menos ameaçador.
- Reestabelece a confiança no diálogo: Ao trabalhar traumas, a pessoa pode reconstruir relações e melhorar sua habilidade de comunicação.
- Aprimora a regulação emocional: Ao lidar melhor com suas emoções, o paciente sente-se mais apto a expressá-las.
Portanto, o tratamento de traumas, com a ajuda de terapias como o EMDR, pode transformar a comunicação e promover relações mais saudáveis.
5 itens essenciais para uma comunicação excelente
Uma comunicação de alta qualidade requer mais do que palavras. Abaixo estão cinco elementos fundamentais que qualquer pessoa pode aplicar para se comunicar melhor:
- Escuta ativa: Demonstrar interesse genuíno, sem interrupções, é o primeiro passo para construir confiança.
- Clareza e objetividade: Evitar ambiguidades e ir direto ao ponto, utilizando uma linguagem acessível.
- Empatia: Colocar-se no lugar do outro para compreender não apenas o que está sendo dito, mas o que está sendo sentido.
- Consistência verbal e não verbal: Certifique-se de que gestos, tom de voz e expressões faciais estejam alinhados com a mensagem que deseja transmitir.
- Feedback construtivo: Confirmar o entendimento e oferecer respostas úteis que reforcem o diálogo.
Praticar esses itens no dia a dia é uma forma de tornar as interações mais significativas e eficazes.
Você já viveu ou testemunhou o poder de uma boa comunicação em um momento delicado? Compartilhe sua experiência!
Sou Betila Lima – Psicóloga
Formada em Psicologia desde 2007, com formação em Neuropsicologia, Terapia Cognitiva Comportamental, Terapia de EMDR e Brainspotting.
📷 Siga no Instagram: @BetilaLima
✉️ Clique e entre em contato
📱 +55 21 99533 1109