A infância é o chão que o adulto pisa para o resto da vida

A infância é o chão que o adulto pisa para o resto da vida

Ouvi essa frase de uma paciente e não tinha como não compartilhar aqui: “A infância é o chão que o adulto pisa para o resto da vida.” É de explodir a mente com tantos insights.

Essa simples declaração nos convida a refletir sobre o impacto profundo que a infância tem em nossas vidas adultas. Nossas experiências iniciais não são apenas memórias distantes, mas fundamentos que moldam quem nos tornamos, influenciando nossas decisões, comportamentos e emoções ao longo da vida.

Hoje, não vejo somente adultos vivendo a sua vida de forma plena. Vejo também as crianças que esses adultos foram, aquelas que ainda os acompanham, sendo o chão por onde pisam.

Quando olhamos para o todo ao nosso redor, a vida pode ter mais sentido. Mas como podemos nos reconectar com essa parte essencial de nós mesmos? E de que maneira a terapia pode nos ajudar a acolher essa criança interior?

O papel da psicóloga ao ajudar os pacientes a se acolherem

A infância é uma fase cheia de descobertas, mas também pode ser marcada por traumas, medos e inseguranças que levamos conosco para a vida adulta. Como psicóloga, o meu papel é ajudar os pacientes a revisitar essa fase e acolher suas dores e alegrias de forma saudável. A terapia oferece um espaço seguro para que a pessoa possa se reconectar com sua criança interior, compreendendo melhor suas emoções e comportamentos.

Primeiramente, é essencial que o paciente reconheça a importância de sua história pessoal. Muitas vezes, ignoramos as influências da infância em nossa vida adulta, mas, na verdade, essas raízes são profundas e impactam todas as áreas de nossa vida. Nesse sentido, o trabalho terapêutico busca trazer à tona essas questões, permitindo que o paciente se acolha de maneira amorosa e compassiva.

Ainda mais, a terapia oferece ferramentas para que o paciente enfrente seus medos e limitações de forma consciente, abraçando sua história sem julgamentos. A escuta ativa, que discutirei a seguir, é uma das chaves para que esse processo ocorra de forma eficaz.

Escuta ativa: o meu talento que potencializa o processo terapêutico

Assim como uma criança precisa ser ouvida e compreendida, o adulto também carrega essa necessidade. A escuta ativa é uma habilidade essencial no processo terapêutico, e é algo que valorizo profundamente em meu trabalho. Através dela, sou capaz de oferecer ao paciente o espaço necessário para que ele se sinta acolhido, sem pressa, julgamentos ou interrupções.

Ao escutar ativamente, permito que o paciente expresse suas emoções e pensamentos de forma livre, dando voz à sua criança interior. Muitas vezes, as respostas que buscamos estão dentro de nós, mas só conseguimos encontrá-las quando alguém nos oferece a oportunidade de falar e ser ouvido genuinamente. Além disso, a escuta ativa fortalece a confiança entre o terapeuta e o paciente, potencializando o processo de cura e crescimento.

Em outras palavras, é por meio dessa prática que os pacientes podem reconhecer seus padrões de comportamento e encontrar novas maneiras de lidar com suas emoções. A escuta ativa, juntamente com outras técnicas terapêuticas, cria um ambiente propício para que o paciente explore suas emoções mais profundas, permitindo que ele construa um novo “chão” sobre o qual poderá caminhar de forma mais plena.

Viver é bom, vamos viver tudo que há pra viver

À medida que vamos nos desconstruindo e nos acolhendo, descobrimos que viver é uma experiência rica e significativa. “Viver é bom, vamos viver tudo que há pra viver,” como diz a famosa canção. A infância nos ensina isso, nos dá a liberdade de explorar, experimentar e viver intensamente. Mas, com o passar dos anos, muitas vezes perdemos essa conexão com a alegria simples de viver.

A reconexão com nossa criança interior, através da terapia, nos convida a redescobrir essa leveza. Voltar ao nosso estado mais puro, sem as amarras que a vida adulta frequentemente impõe, é essencial para que possamos viver de forma mais plena. Não se trata de esquecer responsabilidades, mas de encontrar um equilíbrio entre o adulto que somos e a criança que fomos – uma criança que sabia, intuitivamente, que viver era algo maravilhoso.

Nesse processo de redescoberta, técnicas inovadoras como o brainspotting podem ser grandes aliadas, como veremos a seguir.

Dores Neuropsicológicas: Como o Brainspotting promove a cura profunda

Brainspotting como ferramenta inovadora para desbloquear o potencial cerebral

O brainspotting é uma técnica terapêutica que vem ganhando destaque por sua eficácia em desbloquear traumas e liberar o potencial cerebral. Ele permite que o paciente acesse memórias e emoções profundas, muitas vezes relacionadas à infância, e processe esses sentimentos de maneira transformadora. Mas como isso funciona, exatamente?

Esse método envolve o foco em pontos específicos do campo visual que, ao serem estimulados, ajudam o cérebro a acessar áreas onde memórias traumáticas estão armazenadas. Como muitas das nossas dores emocionais têm raízes na infância, o brainspotting é especialmente útil para ajudar pacientes a trabalharem questões antigas que, até então, estavam fora de sua consciência.

Com o auxílio do brainspotting, os pacientes conseguem reviver e processar essas experiências de forma segura, liberando as emoções associadas e, consequentemente, desbloqueando seu verdadeiro potencial. Dessa forma, a técnica contribui para que a pessoa se liberte de amarras emocionais, permitindo que caminhe por um “chão” mais firme e saudável em sua vida adulta.

O que a neuropsicologia nos diz sobre acolhermos nossa criança interior?

A neuropsicologia tem muito a nos ensinar sobre a importância de acolher nossa criança interior. Estudos demonstram que os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento do cérebro, e as experiências vividas nessa fase moldam quem somos de forma significativa. Traumas, negligências ou até mesmo a falta de afeto durante a infância podem resultar em padrões de comportamento que levamos para a vida adulta.

Segundo a neuropsicologia, acolher a criança interior significa integrar as experiências passadas de maneira saudável, permitindo que o adulto encontre equilíbrio emocional. Isso não significa reviver traumas de forma dolorosa, mas sim, com a ajuda de técnicas terapêuticas como o brainspotting, olhar para essas experiências de forma compassiva e consciente. Ao fazer isso, o indivíduo passa a entender suas reações e comportamentos de forma mais clara, ganhando autonomia sobre suas emoções.

Além disso, a neuropsicologia nos ensina que o cérebro tem uma capacidade incrível de se adaptar e mudar, mesmo na idade adulta. Ao revisitarmos nossas memórias da infância com uma perspectiva terapêutica, conseguimos “reconfigurar” nossas respostas emocionais, tornando-nos mais resilientes e preparados para lidar com os desafios da vida.

A infância é o chão que o adulto pisa para o resto da vida

Acolher o passado para construir um futuro mais livre

Em suma, a infância é realmente o chão que o adulto pisa para o resto da vida. As experiências, emoções e aprendizados dessa fase nos acompanham, influenciando profundamente quem nos tornamos. Porém, com o auxílio da terapia, da escuta ativa e de técnicas inovadoras como o brainspotting, podemos nos reconectar com nossa criança interior e acolher nossa história de forma transformadora.

Portanto, viver de forma plena significa aceitar e integrar todas as partes de nós, desde a criança curiosa até o adulto responsável. Afinal, é essa integração que nos permite viver tudo o que a vida tem a oferecer, com mais leveza, autenticidade e liberdade. Que possamos, então, caminhar com firmeza sobre o chão que nós mesmos construímos, com consciência e acolhimento.

Sou Betila Lima – Psicóloga

Formada em Psicologia desde 2007, com formação em Neuropsicologia, Terapia Cognitiva Comportamental, Terapia de EMDR e Brainspotting.

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